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Investindo no conhecimento dos pais para um Brasil mais produtivo e inclusivo

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Brazil's state of Ceará has just introduced a new parenting designed to stimulate a stronger early childhood development.
Em abril de este ano, Ceará lança um programa de formação parental com visitas domiciliares e encontros comunitários para estimular o desenvolvimento infantil. (Photo: Julio Pantoja / World Bank)

 
Uma educação inovadora e de qualidade é resultado de uma combinação de fatores, como qualidade de professores, compromisso de gestão, acompanhamento dos pais, e uma liderança forte, entre outros. No Brasil, um país com grande diversidade e desigualdades regionais, bons exemplos têm vindo de onde menos se espera. O Ceará, estado do Nordeste brasileiro com mais de 500 mil crianças vivendo en zonas rurais com altos índices de extrema pobreza, tem mostrado fortes sinais de sucesso na aplicação de iniciativas inovadoras na área de educação. E os dados falam por si: hoje, mais de 70 das 100 melhores escolas do Brasil são cearenses!

Mais recentemente, o Ceará voltou a inovar, desta vez, na atenção à primeira infância. Em abril de este ano, o Estado lança um programa de formação parental com visitas domiciliares e encontros comunitários para estimular o desenvolvimento infantil. O programa, que faz parte de um projeto de cooperação do Banco Mundial com o Governo do Ceará, inclui 36 municípios e 2 regionais da capital Fortaleza com maior percentual de pobres. Liderado pela Secretaria de Educação do Ceará, o programa tem como parceiros a Secretaria de Desenvolviomento Social, de Saude e o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE). Cerca de 2 mil famílias serão beneficiadas, em localidades onde a escolaridade média das mães nas zonas rurais chega perto dos 6 anos de escolaridade completos. Apesar dos avanços que isso representa relativamente à escolaridade média de 4 anos existente em 2004, o número ainda contrasta com os quase 9 anos de escolaridade que são hoje realidade para as zonas urbanas. Afinal, os dados deixam bem claro que a trajetória escolar de filhos de ricos e de pobres serão muito diferentes e essa diferença começa já nos primeiros anos da vida da criança.

Inspirado nas experiências de sucesso da Jamaica, Perú e Chile, o Programa De Apoio ao Desenvolvimento Infantil, PADIN, cria um produto novo e inovador, totalmente adaptado à realidade cearense. Ele surge em resposta a três desafios grandes no Estado: a redução da desigualdade de oportunidades entre crianças ricas e pobres antes delas chegarem à pré-escola com 4 ou 5 anos de idade; a necessidade de políticas públicas mais eficientes no desenvolvimento infantil até os 4 anos de idade, em ambientes rurais de baixa densidade populacional; e a promoção do reconhecimento da família como o principal fator individual determinante do desenvolvimento infantil.

O PADIN é ofertado em estreita colaboração com os municípios baseado em 3 importantes princípios:

  1. A visita domiciliar aos pais será coordenada pela Secretaria de Educação, mas integrada com as áreas de Saúde e Proteção Social para que a intervenção seja mais eficaz em promover o desenvolvimento integral da criança.
  2. O programa deverá proporcionar uma troca de informações importantes não só dos agentes governamentais com as famílias, mas também entre pais e mães cuidadores, de forma a  melhorar o relacionamento destes com os seus filhos.  
  3. A qualidade dos agentes que conduzirão esse processo. Com a seleção de professores com algum ensino superior e também experiência aplicada em educação infantil, sempre que possível, assegura-se qualidade e relevância no perfil do agente para enfrentar os desafios e as oportunidades de melhorar a qualidade do relacionamento e estimulação feita pelos pais.  
Durante os próximos meses o programa será avaliado de forma rigorosa por meio de uma avaliaçã de impacto também apoiada pelo projeto desenvolvido com o Banco Mundial, em forte colaboração com o Estado. A avaliação irá contrastar diferenças no desenvolvimento infantil das crianças de bairros participantes e não participantes no PADIN. As expectativas são de que, tal como programas semelhantes no Peru, Colombia, Chile ou Jamaica, a iniciativa no Ceará tenha impactos significantivos nas competências cognitivas e sócioemocionais das crianças, que mais tarde serão estudantes do ensino fundamental, médio e talvez universaitário. Espera-se que o PADIN promova também trajetórias estudantis mais exitosas, com menos repetência e maiores níveis de aprendizado. Tudo isso se traduzirá em indivíduos com maiores níveis de empregabilidade, e produtividade, contribuindo assim para um crescimento mais forte e inclusivo no Ceará e para o Brasil.



 

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