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O que faz o mundo perder US$ 260 bilhões por ano?

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Muitas pessoas hoje têm mais acesso a um telefone celular do que a um vaso sanitário. À atual taxa de progresso, o mundo não alcançará em 2015 o objetivo de saneamento global para meio bilhão de pessoas. E embora o objetivo global de água potável tenha sido alcançado no ano passado, cerca de um bilhão de pessoas ainda carece de acesso a uma fonte melhorada de água potável. 

A maioria dessas estatísticas é bem conhecida por peritos em abastecimento de água e saneamento e pela comunidade de desenvolvimento em geral. Talvez seja menos conhecido o custo da crise de água potável e saneamento. anualmente nos países em desenvolvimento ou 1,5% de seu PIB. Os benefícios de cumprir os objetivos combinados do abastecimento de água e saneamento (WSS) equivalem a mais de US$ 60 bilhões por ano e as intervenções combinadas de WSS significam um retorno de US$ 4,3 por dólar investido.

Saneamento e abastecimento de água precários resultam em perdas econômicas estimadas em US$ 260 bilhões.

Os principais contribuintes para os benefícios da cobertura universal de saneamento e abastecimento de água são o valor do tempo economizado graças a um acesso mais direto e ao menor tempo que se fica na fila de instalações de saneamento e abastecimento de água. Ambos representam mais de 70% do total de benefícios em âmbito global.

É uma clara evidência em prol do investimento em serviços de abastecimento de água e saneamento, em oposição a somente medidas de saúde como programas de vacinação. Benefícios adicionais – normalmente não levados em consideração tanto pela carência de dados inerentes quanto pela dificuldade de converter certos impactos em valores monetários – incluem melhoria da qualidade da água dos lagos, rios e vias costeiras; ganho líquido de espaço do solo em decorrência do isolamento de excreções humanas; e aumento tanto do valor da propriedade quanto das receitas do turismo.

O estudo ESI do Sudeste Asiático estimou as perdas de turismo para o Camboja, Indonésia, Filipinas e Vietnã em US$ 350 milhões por ano em termos brutos.

Dados os benefícios muito significativos da prestação de serviços de saneamento e abastecimento de água, bem como dos retornos altamente favoráveis desses investimentos, os líderes mundiais e nacionais deveriam intervir para assegurar que os custos necessários para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) sejam financiados – US$ 115 bilhões para o saneamento e US$ 30 bilhões para o abastecimento de água (para países individuais que não cumpriram os ODMs).

O enfoque das iniciativas internacionais para alcançar esses objetivos globais também precisa concentrar-se nos países mais necessitados e nas populações mais carentes desses países.

A melhoria do saneamento e abastecimento de água tem implicações não somente para a redução da desnutrição, saúde infantil, acesso à água potável e qualidade de vida de populações marginalizadas, mas também para a pobreza como um todo. Isso torna os investimentos em melhoria do saneamento e abastecimento de água uma variável-chave na consecução de um desenvolvimento socioeconômico equitativo e sustentável.

Por conseguinte, o abastecimento de água potável e o saneamento devem ser elementos centrais das discussões sobre metas e objetivos para o período pós-2015. De fato, deveríamos ser mais ambiciosos do que temos sido até agora – incentivando os governos a pensar além do suprimento domiciliar básico e considerar a possibilidade de medir a qualidade da água, reduzir o descarte de esgotos não tratados e de águas residuais usadas no meio ambiente, bem como incentivando políticas de água, saneamento e higiene (por exemplo, em escolas e instalações de saúde) e o saneamento público.

Participe da discussão online, incluindo perguntas e respostas ao vivo, na quinta-feira, 14 de fevereiro, às 9h00 (horário padrão do Leste dos Estados Unidos).

 

 

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