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Vencedor do concurso de blogs #LACfeaturegraph: Na América Latina, a educação não está fechando o gap de renda

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Nota do Editor: Em maio, a equipe de desenvolvimento de estatísticas do LAC lançou o concurso de blogs #LACfeaturegraph, no qual se pediu aos participantes que usassem dados de pobreza, desigualdade ou bem estar do LAC Equity Lab para elaborar uma análise própria e a vincular a uma visualização gráfica. Recebemos numerosas propostas de blogs e depois de cuidadosamente ler cada post, escolhemos um ganhador. Esta é a proposta de post de Joaquín Muñoz, do Chile.

Já faz tempo que a educação é considerada fundamental para o desenvolvimento de um país. É um direito universal, um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e um dos dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, além de um elemento crítico para a redução da pobreza. Dessa forma, governos e agentes promotores de desenvolvimento vêm continuamente renovando seus esforços para assegurar o acesso à educação primária e secundária.

Na América Latina e no Caribe, região que enfrenta altos níveis de desigualdade, os programas educacionais têm sido desenhados e financiados com o objetivo de garantir oportunidades equitativas de acesso à escola. Por exemplo, enquanto em 1990 a taxa de matrícula escolar no nível primário era de 89,9 por cento, em 2010 alcançou 94,2 por cento. Durante o mesmo período, o índice de alfabetização também progrediu, aumentando de 87,5 para 92,6 por cento (Banco Mundial, 2017). Apesar da dificuldade de alcançar o acesso universal à educação ser desanimadora, os números mostram que a região está no caminho certo.

No entanto, a figura mostra que a pesar de ter havido um aumento significativo nos anos de escolaridade da população da região entre 2004 e 2014, os 60 por cento mais rico e os 40 por cento mais pobres tiveram um aumento desigual em sua renda. Embora ambos grupos passaram a ter uma escolaridade maior que antes, os dados sugerem que os 60 por cento mais ricos, que em média já tinham mais anos de estudo, experimentaram um aumento maior na mediana de renda per capita diária que os 40 por cento mais pobres. O fato anterior é consistente com outro estudo que sugere que o retorno da educação difere ao longo da distribuição de renda (Harmon, Oosterbeek and Walker, 2000).

Fonte: Gráfico autor usando dados de LAC Capital Lab - SEDLAC (CEDLAS eo Banco Mundial).

Sem dúvida, a educação deve desempenhar um papel importante no grande desafio de promover a prosperidade compartilhada. Neste sentido, os formuladores de políticas têm a oportunidade de acelerar o processo de redução da brecha de renda, não apenas nivelando o acesso à educação, mas também os benefícios que o acompanham. Uma forma de alcançá-lo, por exemplo, é incentivando as crianças e jovens entre os 40 por cento mais pobres a permanecer mais tempo na escola e cursar matérias que se alinhem com a demanda do mercado de trabalho de seu país, permitindo aumentar sua renda futura esperada. Além do mais, pode ser necessário incentivar professores qualificados a trabalhar em escolas de baixa renda porque, infelizmente, o acesso à educação universal por si só não parece ser suficiente.

Referências:

Harmon, C., Oosterbeek, H., & Walker, I. (2000). The returns to education: a review of evidence, issues and deficiencies in the literature. Centre for the Economics of Education, London School of Economics and Political Science.

The World Bank. 2017. “School enrollment, primary (% net) and Literacy Rate, Adult Total (% of People Ages 15 and Above).” World Development Indicators | DataBank

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