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Depender de commodities é uma benção ou uma maldição?

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Historicamente os mercados globais de commodities têm sido a principal ligação entre a América Latina e o Caribe e o resto do mundo. O povoamento do Novo Mundo pelos europeus foi uma migração em grande parte impulsionada pela procura por commodities.

A viagem de Colombo foi uma tentativa dese  encontrar uma rota fácil para os mercados de especiarias das Índias Orientais. Após degustar uma especiaria nativa (chamada de ají na língua caribenha e de pimenta em náhuatl), Colombo acreditou ter encontrado uma das especiarias de que estava à procura.

Na realidade, o tempero que ele havia "descoberto" botanicamente não tinha qualquer relação com a pimenta das Índias Orientais, mas a ambiguidade da nomenclatura criada a partir desta confusão inicial permanece até os dias de hoje no nome de "pimenta chilli" como explica o estudo " From Silver to Cocaine: Latin American Commodity Chains and the Building of the World Economy, 1500–2000 ".

Posteriormente, tornou-se claro que Colombo não tinha encontrado uma passagem para as Ilhas das Especiarias. E, embora a pimenta chili nunca tenha se tornado economicamente importante na região, outras commodities se tornaram. A principal motivação para a exploração de grande parte da região latino-americana foi a procura por ouro e prata.  Apesar de que nunca tenha se chegado ao legendário El Dorado, buscado pelos conquistadores e seus patrocinadores, a América Latina produziu cerca de 80% da prata do mundo entre os séculos XVI e XIX, alimentando o sistema monetário da Europa, China e Índia.

A descoberta de ouro no Brasil no final do século XVII motivou o povoamento do interior do país. A produção aumentou drasticamente até meados do século. Grande parte da riqueza do ouro atraiu para a colônia mineiros e comerciantes foram usados para comprar produtos importados da Inglaterra, o que levou alguns historiadores a argumentar que o ouro brasileiro ajudou a lançar as bases para a Revolução Industrial.

E ao longo da história da região, as economias aumentaram e diminuíram a força e fraqueza dos mercados de commodity.

Para a América Latina e o Caribe, o boom nos preços das exportações de commodities desde 2002 trouxe consigo o interesse da imprensa e acadêmico em saber se uma concentração na produção de commodity é um sombrio prenúncio para as perspectivas de desenvolvimento da região no futuro.

Nos últimos dois anos, a Região da América Latina e do Caribe no Banco Mundial vem trabalhando em um programa de pesquisa concebido precisamente para analisar esta questão.

Os resultados deste esforço de investigação estão resumidos no estudo 2010 sobre a região " Recursos Naturais na América Latina: indo além das altas e baixas " .

Em 13 de setembro de 2010, pretendemos lançar o estudo simultaneamente na 14 a Conferência Anual Miami Herald Americas, co-organizada pelo Banco Mundial, na Flórida, e em um evento na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), no Brasil.

O relatório é um verdadeiro esforço coletivo, tendo sido elaborado com um coleção considerável de estudos de economistas e cientistas políticos, de dentro e de fora do Banco Mundial, preparados para apoiar as análises em questão.

O relatório analisa três grandes questões:

1. A dependência de commodities realmente afeta as perspectivas de desenvolvimento a longo prazo, dificultando a inovação ou agravando instituições públicas?

Esses potencialmente negativos efeitos feedback são imutáveis? Se não, quais políticas ou reformas institucionais são necessárias para amenizar as consequencias negativas?

2. A dependência de commodities realmente provocar alta volatilidade macroeconômica e, consequentemente, prejudica o crescimento?

Se sim, quais reformas políticas podem ser implementadas para reduzir essa volatilidade?

3. Sob quais circunstâncias a produção de commodities gera impactos ambientais e sociais adversos, e que tipos de reformas políticas conduzirão a práticas mais sustentáveis?

 

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