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O “Consenso de Brasília”

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O Brasil vive um momento excepcional, fruto de décadas de trabalho duro. Alcançou um desenvolvimento social e econômico impressionante, tirou da pobreza dezenas de milhões de pessoas e construiu uma economia que está crescendo fortemente e atravessou sem percalços a grande crise financeira global. Pode-se dizer que o país uniu desenvolvimento econômico com estabilidade e avanços sociais, no que já foi chamado de “Consenso de Brasília” – em contraposição ao de Washington, de conturbada memória.

O sucesso desse modelo trouxe profundas conseqüências, muito além de suas fronteiras. O país assumiu uma liderança no mundo multipolar de hoje e tornou-se um ator fundamental para o desenvolvimento dessa nova arquitetura global.  O Brasil tem um papel cada vez mais ativo nas discussões internacionais de desenvolvimento, bancando com a força de sua economia e estabilidade política uma agenda de desenvolvimento que usa a ótica do mundo emergente. Isto lança uma nova luz sobre questões como o Haiti, a África e as trocas sul-sul em geral.

Unir progresso social ao econômico pode parecer óbvio, mas, como o mundo inteiro sabe, na prática a receita é difícil e desanda facilmente. Isso é especialmente verdadeiro em um país tão complexo e desigual quanto o Brasil.  Uma questão central é qual rumo o país tomará para desenvolver riquezas como o Pré-Sal e sua crescente produção agrícola e mineral.  Paradoxalmente, a abundância de recursos naturais ainda é considerada por muitos economistas como uma potencial maldição para o desenvolvimento, mas a experiência de diversos países mostrara que não precisa ser assim. O Brasil já dá passos importantes nessa área, por exemplo ao estabelecer o Fundo Social com os recursos do Pré-Sal, que impulsionará os investimentos em educação e ajudará a aumentar a poupança de longo prazo, além de estabilizar as flutuações econômicas dos ciclos de preços.

Nesses dias o país debate democraticamente nas eleições quais estratégias adotar para enfrentar problemas persistentes como a desigualdade de renda e entre as regiões, a falta de infraestrutura, a qualidade da educação e a sustentabilidade ambiental.  Os problemas não têm mais a dimensão opressiva de algumas décadas atrás, mas nem por isso deixam de ser urgentes. O importante é que esses desafios, sem exceção, estão sendo abordados, e uma estratégia bem desenvolvida para o uso das riquezas naturais do Brasil poderá impulsionar ainda mais os ganhos sociais e econômicos, tornando-os mais sustentáveis e estáveis.

Qual seria, então, o próximo passo para o Brasil? O que falta para o Brasil se tornar uma nação desenvolvida?  Talvez, pela nova ótica multilateral que o próprio país ajudou a estabelecer, a pergunta não tenha mais sentido – o desenvolvimento é agora um processo contínuo, ao qual se busca dar estabilidade, mas que nunca perde de vista a sua dimensão internacional.  Esse seria o verdadeiro legado do Consenso de Brasília.

Clique aqui para conhecer o trabalho do Banco Mundial no Brasil: www.bancomundial.org.br

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