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April 2016

Por que investir nas florestas é dinheiro e tempo bem empregados

Tone Skogen's picture
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Togo_Andrea Borgarello / World Bank

É amplamente reconhecido que a redução de emissões provenientes do desmatamento poderia corresponder a um terço da diminuição das emissões de gases de efeito estufa necessária até 2030 para o planeta não aquecer mais de 2ºC. No entanto, proteger e gerenciar as florestas de forma prudente não somente faz sentido de uma perspectiva do clima. É também algo inteligente para a economia. As florestas são recursos econômicos de suma importância nos países tropicais. Protegê-las aumentará a resiliência às mudanças do clima, reduzirá a pobreza e ajudará a preservar a biodiversidade.

Seguem apenas alguns fatos para ilustrar por que as florestas são tão importantes. Primeiro, as florestas nos prestam serviços de ecossistema, tais como polinização de safras de alimentos, água e filtração do ar, bem como proteção contra inundações e erosão. As florestas também abrigam cerca de 1,3 bilhão de pessoas no mundo inteiro que dependem dos recursos florestais para subsistência. Em nível local, as florestas contribuem para a pluviosidade necessária para manter a produção de alimentos no correr do tempo. Quando as florestas são destruídas, esses benefícios são roubados da humanidade. 

O novo Relatório sobre a Economia Climática nos mostra que o crescimento econômico e a redução das emissões de carbono podem se reforçar mutuamente. Precisamos de mais inovação e mais investimentos para ter uma economia de baixo carbono. Isso requer certas escolhas fundamentais de política pública e a transformação não será fácil. No entanto, é possível e na realidade trata-se do único caminho para um crescimento e desenvolvimento sustentados. Se o uso da terra for produtivo e os sistemas energéticos forem eficientes, ambos impulsionarão um desenvolvimento econômico sólido e reduzirão a intensidade das emissões carbono.

Em âmbito mundial, os países com as grandes florestas tropicais já estão agindo.

Nas florestas, uma mudança de atitude em favor dos povos indígenas

Myrna Kay Cunningham Kain's picture
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Girl. Panama. Gerardo Pesantez-World Bank

Em 2015, mais de 500 milhões de hectares de florestas eram posse de povos indígenas. Embora nas últimas décadas a área florestal designada aos povos indígenas e sob sua posse tenha aumentado, os governos ainda administram 60% dessas áreas, e as corporações e agentes privados, 9%. A pressão dos povos indígenas nas últimas décadas tornou possível aumentar em cerca de 50% a área florestal reconhecida como propriedade das comunidades indígenas e a elas designada. A América Latina e o Caribe, onde os povos indígenas controlam 40% das florestas, é a região com maiores avanços. Outras regiões do mundo mostram tendências semelhantes.

Para os povos indígenas, que sempre têm vivido na floresta, ela representa seu espaço de reprodução cultural, produção de alimentos e segurança espiritual. Para os governos e empresas, a floresta contém ativos importantes para a produção de alimentos, desenvolvimento econômico, segurança, mitigação da mudança do clima, sequestro de carbono, água, minerais e extração de gás. A essas percepções divergentes sobre propriedade e uso da floresta somou-se nas últimas décadas a multiplicação de conflitos sobre o controle do território e recursos florestais. Com a crescente demanda internacional de bens primários (minerais, hidrocarbonetos, soja e outros produtos agrícolas básicos), há um maior dinamismo econômico com base em sua exploração. No entanto, isso foi ao custo de graves impactos ambientais, reclassificações espaciais e violações de direitos, interesses, territórios e recursos dos povos indígenas (CEPAL 2014).

Nesse contexto, o que está contribuindo para a mudança de atitude, tanto no nível de país como global, que nos permite concluir que essa situação já começou a se reverter?