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Amazônia: uma floresta se preserva com pessoas, ideias e trabalho

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Turma de beneficiários das ações para jovens líderes do ARPA 

Josué da Costa da Silva nasceu e cresceu na Reserva Extrativista do Médio Juruá, no Amazonas. A paixão pela natureza o fez sonhar desde pequeno, assim como eu, em se tornar um defensor do meio ambiente. Mas até os 21 anos de idade, a timidez e a baixa autoestima o mantiveram longe de tudo e de todos. Hoje, alguns anos mais velho, é técnico de produção sustentável, membro do conselho deliberativo da reserva extrativista e agente voluntário ambiental. Ele está entre os beneficiários das ações para jovens líderes, iniciativa promovida pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA).

Do curso que fez para trabalhar em Áreas de Proteção Ambiental (APA), Josué levou como lição a importância da integração e participação dos jovens da região de forma organizada. Antes do projeto, isso se dava de forma dispersa, pontual.

“Sem o envolvimento direto da comunidade, as coisas não acontecem", ele comenta. As palavras de Josué resumem um dos desafios dos 15 anos do ARPA, comemorados em 2017.

O programa também transformou a vida de oito mulheres do Teçume D’Amazônia. O grupo de artesãs da comunidade Santa Izabel, nos arredores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Igapó-Açu no Amazonas, também tem apoio do ARPA. Zilá, Maria, Rita, Marcineide, Marilene, Valda, Branca e Celia vivem às margens do Rio Tupana. Elas trabalham com os artesanatos tradicionais da região, conhecimento passado de geração a geração, remetendo às origens indígenas na tribo Mura.

Foi em 2015, percebendo o potencial de mercado de artesanato feminino, que a ONG Casa do Rio as incentivou a formar o grupo. Desde então, foram organizadas reuniões com designers, que deram orientação sobre como tornar a produção comercialmente viável.


Artesãs do Teçume D'Amazônia. Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá

Essas histórias ilustram um pouco sobre como o ARPA tornou-se, nesses 15 anos, a maior estratégia de conservação e uso sustentável de florestas tropicais do planeta. É um orgulho participar do programa por intermédio do Grupo Banco Mundial, agência implementadora do Global Environment Facility (GEF), apoiando financeiramente o programa e auxiliando o governo brasileiro na supervisão desde o início. O envolvimento do Banco Mundial ao longo de todo o processo e os resultados alcançados mostram o quanto é importante a participação do grupo em projetos de longo prazo.

Entre 2002 e 2017, o ARPA apoiou a criação e implementação de uma centena de áreas protegidas, que englobam 60 milhões de hectares da Amazônia brasileira, e estabeleceu um mecanismo financeiro inovador para apoiar a manutenção dessas áreas no longo prazo. Agora, iniciando a terceira fase, a participação do Banco Mundial continuará por meio da implementação do novo projeto Brasil Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL), que será assinado ainda este ano pelo governo brasileiro. A previsão é de que, até 2039, quando chegar ao fim, o ARPA englobará 15% da Amazônia brasileira.



Atuando junto às comunidades e investindo em criação, expansão, fortalecimento e manutenção das unidades de conservação (UCs), assegurando recursos e a promoção do desenvolvimento sustentável na região, o ARPA, além de combater o desmatamento, colabora com a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e com a redução das emissões de carbono. Os benefícios gerados neste projeto de conservação da biodiversidade na Amazônia abrangem ainda a inclusão social e o alívio da pobreza, ilustradas nas histórias de vida de Josué e das artesãs do Teçume D’Amazônia.

As unidades de conservação são beneficiadas com bens, obras e contratação de serviços, como a formação de conselhos, planos de manejo, levantamentos fundiários e fiscalização, além de atividades de integração com as comunidades residentes (no caso das UCs de uso sustentável) e do entorno. Ao todo, o programa apoiou o fortalecimento das comunidades de 30 áreas protegidas.

Inventários preliminares realizados em 39 de 62 UCs apoiadas pelo Arpa revelaram que esses parques e reservas contribuem para a conservação de parcela significativa da biodiversidade da Amazônia, abrigando mais de 8,8 mil espécies ou 88% das espécies de pássaros, 68% de mamíferos e 55% de répteis em todo o bioma.

É bastante, mas não o suficiente. O ARPA enfrenta agora o desafio de fazer com que essas unidades cumpram seus objetivos de conservação, de forma participativa e transparente, o que é feito com apoio dos recursos de doação e do governo.

Neste 1º de dezembro de 2017, o Banco Mundial recebe no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, uma homenagem em virtude da parceria construída ao longo desses 15 anos. Fica a reflexão de que é possível reunir forças para atuar em prol de algo maior, e que tudo o que fazemos tem uma grande importância para a Amazônia.

Saiba mais:
http://arpa.mma.gov.br/en/what-is-arpa-3/
http://www.funbio.org.br/en/arpa/
https://www.wwf.org.uk/sites/default/files/2008-20/arpa_report.pdf
http://arpa.mma.gov.br/wp-content/uploads/2012/10/arpaBiodiversidade.pdf

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