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Um conto de duas regiões?

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"A pobreza caiu na América Latina por causa de boas políticas ou por sorte?", sempre me perguntam quando digo que a pobreza na região caiu de 40 para 25% entre 2003 e 2013. A resposta é: um pouco dos dois.

Como o gráfico abaixo demonstra, não há dúvidas de que a população pobre vivendo em países favorecidos pela alta no preço das matérias-primas se beneficiou mais que em outros países. Mais especificamente, como o gráfico também mostra, a enorme alta das receitas causada pelo aumento nos preços de matérias-primas levou a um crescimento na renda do trabalho, que explica grande parte da redução da pobreza nos países exportadores. 

Nota: Definimos países que experimentaram um boom de matérias-primas como aqueles cujos termos de troca aumentaram em média 2% por ano ou mais entre 2003-2013.  

Para mim, no entanto, uma história interessante se encontra por trás dos países não exportadores de matérias-primas. Mesmo sem o benefício do aumento nos preços de bens primários, esses países também lograram reduzir a pobreza por uns respeitáveis 7 pontos percentuais.

Como conseguiram isso? Quando observamos os fatores determinantes da redução da pobreza em países não exportadores de matérias-primas, vemos que a renda do trabalho entre os 40% mais pobres da população teve um papel importante (1.9%), mas não tão importante quanto nos exportadores de matérias-primas. Mais importante foi o papel da renda não-laboral (4.1%), o que sugere, em alguma medida, um papel importante das políticas públicas que protegem os mais pobres de condições externas menos favoráveis.

Esse fato é particularmente oportuno neste momento, quando o boom das matérias-primas vai chegando ao fim e o crescimento econômico desacelera. De fato, começamos a observar uma redução no ritmo de queda da pobreza nos países exportadores de bens primários nos últimos anos.

No entanto, recursos naturais não são suficientes para definir o destino de um país. Além disso, ainda que a redução da pobreza tenha variado significativamente, vale notar que o fenômeno foi observado em toda a região, mesmo em países que não se beneficiaram do boom de matérias-primas. Entre esses países, a queda na pobreza variou entre 5 e 15 pontos percentuais. Na realidade, em alguns casos a redução de pobreza foi maior em países que não se beneficiaram do boom de bens primários. Isso nos lembra que outros mecanismos também foram importantes para retirar as pessoas da pobreza. Mesmo que os ganhos em termos de redução de pobreza desacelerem em função do crescimento anêmico, temos razão para acreditar que esses mecanismos possam ser utilizados para manter a redução da pobreza na região.

Nota: Esse blog é parte da série mensal 'lacfeaturegraph' da equipe do LAC Equity Lab. Para ver posts anteriores clique aqui

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