Em tempos de pandemia, temos que incluir com urgência os povos indígenas na reconstrução regional

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Mulher indigena em Colombia. Foto: Sergio Rodriguez/iStock Mulher indigena em Colombia. Foto: Sergio Rodriguez/iStock

Há séculos somos testemunhas da excepcional resiliência dos povos indígenas da América Latina e do Caribe. Contudo, a situação de desigualdade que eles enfrentam em tempos normais tem agravado as vulnerabilidades que os afetam durante a pandemia.

A situação atual é extraordinariamente frágil. Eles representam apenas 8 por cento da população regional, mas representam 14 por cento dos pobres e 17 por cento do extremamente pobres. Em outras palavras, eles preenchem desproporcionalmente os rankings dos mais vulneráveis. Isso significa menos acesso aos serviços de saúde, menos recursos para comprar itens básicos e crescente exposição à infecção.

Os resultados de sete estudos realizados por organizações indígenas e financiados pelo Banco Mundial demonstram que as comunidades indígenas se sentem cada vez mais invisíveis. Eles acreditam que não têm a garantia das condições mínimas de testagem, tratamento e reabilitação; que os custos associados ao tratamento da Covid-19 – normalmente em centros urbanos distantes – são proibitivos para eles; e que problemas crônicos como desnutrição, doenças respiratórias e diabetes os colocam em maior risco com relação à saúde. Parte dos quase US$ 4 bilhões que o Banco Mundial alocou para mitigar o impacto da pandemia na região é direcionada para tratar dessas questões.

A Covid-19 também provocou um impacto econômico desastroso, que exacerbou a desigualdade e a exclusão. As comunidades indígenas viram suas rendas diminuírem em razão da redução da atividade econômica e sofreram com o fechamento dos mercados locais. Alguns alimentos básicos e itens de higiene, como sabonetes e desinfetante, estão em falta em suas comunidades ou se tornaram muito mais caros. A ajuda do governo nem sempre chega até eles, ou requer que os beneficiários realizem procedimentos online, tenham contas bancárias ou emitam notas fiscais de serviço. Essas exigências não levam em conta a realidade econômica e cultural das comunidades.

Em respostaAqueles que vivem nas cidades enfrentam situação semelhante. Eles quase sempre têm trabalhos informais e ficam isolados em bairros pobres. A falta de dados epidemiológicos desagregados por origem étnica nos impede de compreender a real extensão do problema. É necessário enxergar essas realidades se quisermos alcançar maior inclusão e apoiar o desenvolvimento em fundações sólidas e equitativas.

O Banco Mundial assumiu o desafio de colaborar para os esforços concretos de promoção do bem-estar dos povos indígenas da região. Esse compromisso se torna ainda mais relevante nos dias de hoje. A celebração anual do Dia Internacional dos Povos Indígenas em 9 de agosto é uma oportunidade para lembrar desse compromisso.

No Panamá, por exemplo, onde os povos indígenas representam mais de 12 por cento da população, desde 2018 o Banco vem implementando um projeto de US$80 milhões. Esse projeto estabeleceu uma mesa redonda com 12 nações indígenas para promover o desenvolvimento e fechar as persistentes lacunas de exclusão. Também temos avançando nesse sentido no Equador. No Paraguai, implementamos, por mais de 10 anos, um programa liderado pela comunidade para promover a agricultura e o desenvolvimento sustentável por meio de treinamento, gestão de recursos, organização da comunidade e melhoria do acesso aos mercados.

Além disso, a maior parte dos projetos do Banco Mundial na região tem padrões sociais e ambientais, que em 70 por cento dos casos acionam medidas específicas para melhorar as condições de vida dos povos indígenas. Todos esses projetos levam em consideração aspectos de saúde, educação, segurança, bem como infraestrutura de saúde e transportes, inclusão tecnológica e financeira, planos de incentivo econômico, promoção cultural e fortalecimento das instituições e organizações da comunidade.

O Banco Mundial também oferece apoio técnico e analítico na região, que é fundamental para avaliações precisas necessárias ao diálogo político a fim de permitir a reorganização de prioridades e concentrar os esforços nos mais vulneráveis.

Não podemos mais tolerar as injustiças do passado, uma das quais – e talvez a maior – tem sido a exclusão histórica dos povos indígenas. Repensar o futuro da América Latina e do Caribe significa acabar com a discriminação, apoiar aqueles que vem sendo excluídos e assegurar que os benefícios do crescimento e os investimentos públicos e privados cheguem aos setores mais vulneráveis. A pandemia tem ressaltado a urgência de avançar em direção a esses objetivos.


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