O que o futuro reserva para o Brasil?

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Bandeira do Brasil em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil Bandeira do Brasil em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Recentemente, o Brasil introduziu algumas reformas cruciais, como, por exemplo, a revisão de seu sistema tributário, e assumiu seu papel de liderança global na agenda verde. Essas são ótimas notícias. No entanto, também vemos sinais preocupantes de alguns desafios estruturais enfrentados pelo país. Uma onda de calor recorde (que exerce forte pressão sobre a rede de energia elétrica) e uma seca devastadora na Amazônia ocidental transformaram a crise climática global numa sombria realidade local. O recém-lançado Censo Brasileiro de 2022 revela que as alterações demográficas prosseguem a um ritmo acelerado. O crescimento robusto do PIB este ano foi impulsionado principalmente pela produção recorde do setor agrícola brasileiro, com poucas evidências de crescimento da produtividade em outros setores.

Ao pensar no futuro do Brasil, é necessário considerar como o país lidará com as novas e iminentes megatendências globais : mudanças climáticas; envelhecimento da população; e inovação e automação no contexto da Quarta Revolução Industrial (4IR). Essas tendências representam ameaças (como as secas) e desafios (como a pressão crescente sobre os gastos com idosos, um abrandamento do dividendo demográfico e a eliminação de postos de trabalho resultantes da automação). Todavia, também oferecem oportunidades, como soluções tecnológicas e benefícios gerados por mercados e finanças verdes.

Naturalmente, o futuro do Brasil é moldado por seu passado e seu presente. Os altos níveis de desigualdade observados no país remontam aos tempos coloniais; a certas instituições de exclusão herdadas de seu passado escravocrata; à ditadura; e à construção de um contrato social institucional que permanece fragmentado e favorece os incluídos (como os trabalhadores formais) em detrimento dos excluídos (como os informais). Como foi muito bem colocado pelo músico brasileiro Seu Jorge, as realidades econômicas e sociais enfrentadas pelos brasileiros se traduzem, na verdade, em “muitos Brasis”.

Em nosso recente relatório intitulado O Brasil do Futuro, embasado por um amplo relatório contextual, discutimos como as políticas públicas podem ajudar a construir um círculo virtuoso rumo à produtividade, inclusão e sustentabilidade.

Quais políticas são necessárias para criar um futuro melhor para todos os brasileiros? Acreditamos em seis áreas fundamentais:  

  1. Aumento da produtividade do setor privado para impulsionar o crescimento de forma ambientalmente sustentável;
  1. Preparação do sistema educacional do Brasil para eliminar a lacuna entre qualificações e empregos; 
  1. Fortalecimento da pertinência e sustentabilidade dos sistemas de proteção social para os desafios futuros;
  1. Reformulação do atual espaço limitado da política fiscal de acordo com as prioridades de longo prazo; 
  1. Melhoria do acesso a serviços de infraestrutura; e
  1. Construção de um sistema tributário mais equitativo e eficiente. 

Em 2042, o Brasil celebrará 220 anos de independência . Juntas, essas políticas contribuem para a criação de um círculo virtuoso capaz de transformar a vasta diversidade do país — os “muitos Brasis” — de uma fonte de exclusão em uma fonte de força, sustentada por um contrato social muito mais robusto, o que pode ajudar o país a aproveitar as oportunidades das megatendências, limitando, ao mesmo tempo, os riscos negativos. Assim, o Brasil se tornará mais próspero, mais equitativo e mais sustentável.

Vamos nos preparar hoje para um amanhã melhor!


Autores

Matteo Morgandi

co-Global Lead for Labor and Skills, and member of the Jobs Group

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