Vacinação contra a COVID-19: quais as vantagens para cada um

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U.S. Army Soldiers with the Michigan National Guard (MING) assist in the administration the COVID-19 vaccination to the elderly for the Wayne County Public Health Department. Photo: Master Sgt. David Kujawa/FlickR
Photo: Master Sgt. David Kujawa/FlickR

Existe uma grande quantidade de informação e desinformação sobre as vacinas contra a COVID-19 (coronavírus). Os factos e ficção são-nos transmitidos  de várias maneiras, criando dúvida e ansiedade num mundo já de si tenso e complicando desnecessariamente uma decisão razoavelmente simples. 

Assumindo que os governos são capazes de obter e distribuir as melhores vacinas possíveis a uma grande parte das pessoas em cada país, a vacinação torna-se então uma escolha pessoal para cada um de nós e para as nossas famílias. Olhemos então para ela nesses termos. O que temos a ganhar ou a perder pessoalmente com a vacinação?

Quando optamos por ser vacinados, várias portas começam a reabrir-se. Mas quando optamos por não ser vacinados, essas portas - a escola, o trabalho e a comunidade - podem permanecer fechadas, ou começar a fechar-se, se estiverem abertas. Portanto, tomar ou não as vacinas não é apenas uma questão de saúde. É uma decisão que afeta aqueles de quem gostamos, incluindo a nossa família, a comunidade e o país. Quantos mais escolhermos tomar a vacina quando ela estiver disponível, mais difícil se torna para o vírus espalhar-se de pessoa para pessoa e maior será o benefício comum para todos. 

Voltar ao trabalho, e apoiar a sua família e a economia

Antes de mais nada, tomar a vacina significa um regresso mais seguro ao trabalho, ou em alguns casos, a única forma de regressar ao trabalho. À medida que as pessoas vão saindo de casa, mantendo ainda o distanciamento e usando máscaras, mas aventurando-se com mais ousadia, as empresas que as servem voltam à vida, e a economia recomeça.

Para aqueles de nós que devem estar fisicamente presentes no trabalho ou para os trabalhadores informais cuja fonte de rendimento tenha diminuído, as vacinas são uma linha de vida. Em muitos países onde as pessoas têm fraco acesso aos serviços de saúde e a tratamentos sofisticados, adoecer com a COVID-19 é particularmente devastador. As famílias sofrem muito quando os chefes de família não podem trabalhar, e devem passar por recuperações prolongadas, ou mesmo acabam por morrer.

Em Moçambique, a pandemia afetou economicamente os pobres que vivem em zonas urbanas e periurbanas, na maior parte dos casos devido às medidas de contenção inevitáveis. A pobreza urbana aumentou acentuadamente em 2020, com cerca de 250.000 a 300.000 pessoas a caírem na pobreza devido à perda de emprego e de rendimentos, ao aumento dos preços e à deterioração dos serviços públicos.

Compensar o tempo perdido: melhorar o futuro dos seus filhos

As perdas intangíveis para as crianças e jovens no último ano têm sido tremendas. A aprendizagem abrandou ou parou mesmo para muitos, e outros abandonaram completamente a escola. As incertezas continuam para os sistemas de educação em praticamente todos os países, e a aprendizagem dos estudantes - já fraca de um modo geral - está a cair ainda mais em África e noutros lugares, com profundas implicações para as crianças e jovens quando chegar a hora de procurar emprego.

Em Madagáscar, mais de 7 milhões de alunos foram afetados pela pandemia, juntamente com 244.000 professores, uma vez que as escolas foram encerradas entre Março e Outubro de 2020. O retrocesso é significativo num país onde a taxa de conclusão do ensino primário diminuiu na última década.

A COVID-19 também tem significado uma maior sensação de isolamento e um apoio muito menos ativo para as pessoas mais velhas que estão isoladas das suas famílias e em muitos casos não veem os filhos e/ou netos há muitos meses. A vacinação da geração mais velha irá mantê-los seguros e irá reabrir a porta para interações familiares seguras. Ninguém quer passar por outra festividade ou aniversário sozinho. 

Obter cuidados de saúde quando necessários

Temos de nos preocupar não apenas em não contrair a COVID-19, mas também em aceder aos serviços de saúde gerais, caso necessitemos deles.   Atualmente, a maioria desses serviços está acima da sua capacidade normal devido aos pacientes da COVID-19. Isto significa também que as imunizações das crianças, os cuidados das grávidas, dos recém-nascidos e a distribuição de medicamentos e cuidados vitais estão provavelmente num compasso de espera, com consequências potencialmente devastadoras.  

Na maioria dos países, os casos da COVID-19 surgiram em janeiro e, embora a situação esteja a ter algum alivio, agora temos uma melhor visão do que acontecerá se a população não for protegida adequadamente. Apesar disso, também não há muita informação sobre a procura das vacinas e se as pessoas desejam ou não ser vacinadas quando estiverem disponíveis. A vacinação de adultos é um conceito desconhecido em muitos países.

Em última análise

No que diz respeito a tomar a injeção, estou pessoalmente ansioso por ter essa oportunidade. Estou, no entanto, ciente de que para muitas pessoas essa perspetiva pode ser assustadora. Não devemos tentar afastar estes medos, devemos em vez disso ajudar todos a compreender que é normal ter medo de alguma coisa nova. No entanto, em última análise, o custo de não tomar a injeção, como tentei ilustrar, é demasiado elevado. 

O  que é certo mesmo é que existe hoje uma enorme necessidade de unidade em torno de um bem público global - unir esforços para restaurar a segurança e a normalidade no nosso mundo. Assim, vamos continuar a fazer tudo o que pudermos: usar máscaras eficazes, lavar as mãos, manter-nos a uma distância segura de outras pessoas, reservar tempo para compreender a vacina, inscrever-se para uma consulta e, quando possível, ser vacinado.

 

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Autores

Idah Z. Pswarayi-Riddihough

Diretora para Moçambique, Madagáscar, Maurícias, Comores e Seicheles; África Oriental e Austral